10/03/2011

Carnaval de São Chico em grande estilo


Não seria possível deixar de deter-me nesta semana sobre a maior festa popular, o carnaval, principalmente levando em consideração que o nosso foi em grande estilo. Para quem teve a oportunidade de acompanhar os desfiles e posteriormente os shows, evidentemente pode conferir algumas mudanças em relação ao ano passado, diga-se de passagem, que vieram para melhorar ainda mais o nosso carnaval. Começando pelo local para a realização dos desfiles, a Av. Treze de Janeiro, quadra da praça Independência, a qual teve a aprovação geral por parte das pessoas com quem conversei, a banda tocando as quatro noites, música ao vivo durante todo o carnaval é outro ponto positivo a salientar e além do mais excelente a banda Panamérica.

A forma de apresentação dos desfiles, sendo este ano uma Escola por noite, o que proporcionou ao público assisense quatro dias de espetáculo, e a própria Escola também teve um tempo melhor otimizado, podendo ser a estrela da noite, é outra boa idéia.

Tal idéia foi concebida através de reuniões com a estreante LIESFA, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Francisco de Assis, a qual está muito bem presidida pelo Senhor Carlos. A LIESFA, também está de parabéns pela postura, pelo trato em geral que teve com todas as partes envolvidas no carnaval, com certeza ela vem pra somar e muito, pra ajudar a transformar o nosso carnaval num espetáculo que atrairá turistas de várias outras localidades.

Fico muito feliz, como no ano passado fiquei, em poder usar este espaço somente para elogiar, sim elogiar, porque elogio faz muito bem, é uma forma de reconhecimento para as pessoas que deram o melhor de si para que nós pudéssemos ter todas as atrações que tivemos, para que tivéssemos prazer em permanecer durante o carnaval em nossa cidade, e evitar que saíssemos para outros lugares. Quero elogiar a todas as pessoas, mas sei que o time é grande e que não vou lembrar o nome de todas, portanto quero elogiar e parabenizar a uma pessoa que representará a todas, a Secretária Maria Jaci, ela que com maestria mais um ano soube conduzir a sua equipe e fazer com que mais um dos eventos que esteve sobre sua supervisão fosse um sucesso, enfim além de parabenizá-la, quero também desejar que todo este espírito democrático, ético e criativo que a senhora demonstra através dos eventos e principalmente a dedicação e o depósito de muito amor ao que está fazendo, se fortaleça ainda mais e seja a base para a colheita de frutos muito bons para nossa terra, no que tange a cultura, a qual somos tão necessitados como cidadãos no afã do desenvolvimento.

Ainda devo elogiar o grande profissional Herton Couceiro, pelo belo trabalho de apresentação e condução de todo o cerimonial, bem como pela criatividade, pela lisura com que trata os eventos que participa e trabalha, dando sempre o muito de si e o melhor, com muita humildade, pessoas com este espírito sempre somam em qualquer equipe. Quero parabenizar a todas as pessoas que estiveram envolvidas na organização do carnaval, fazendo deste um sucesso absoluto, um carnaval animado, saudável, pois não tivemos felizmente nenhum tipo de problema sério, nenhuma pessoa sofreu danos, enfim foi paz e amor e harmonia...

Antes de finalizar gostaria de agradecer ao gentil convite que me foi feito para integrar a comissão julgadora, a qual não foi uma tarefa fácil, pois todas as Escolas foram excelentes, gostaria que todas tivessem ganhado, muito embora tenha certeza que todas de uma forma ou de outra ganharam, seja o apreço do público, seja experiência, aprendizado, enfim tantos fatores que só farão com que no próximo desfile elas venham melhores ainda. Quero de forma especial parabenizar a Escola campeã Asas da Liberdade, bem como quero parabenizar a Escola Gaviões Assisenses e a Escola Unidos do Pé Preto, as quais foram muito felizes em suas apresentações, deixando o público encantado; desejar muito sucesso e que o amor pelo carnaval que vocês tem no coração se intensifique ainda mais e faça de vocês, mais do que já são, pessoas importantes para nossa comunidade, vocês são responsáveis pelo nosso carnaval, pensem nisso, sem vocês, nada teria... Parabéns aos Presidentes das Escolas, vocês são verdadeiros líderes e merecem todo meu reconhecimento. Por fim, parabéns a todos os meus colegas jurados que tiveram um árduo trabalho, porém todos com a extrema capacidade para julgar, o que foi comprovado pelo currículo de cada um, pessoas que entendiam sobre os quesitos que estavam sendo avaliando, tal trabalho, quero deixar bem claro que correu da forma mais transparente possível, nem nós mesmos sabíamos quem havia ganhado, só ficamos sabendo na hora da apuração, pois as notas foram depositadas por cada jurados em um envelope que foi assinado a lacrado e entregue ao Presidente da LIESFA. Enfim, nossa comunidade está de parabéns.

Publicado no Jornal O Sentinela no dia 10/03/2011

02/03/2011

Quase


Estamos prestes a viver a maior festa popular, o carnaval e ao mesmo tempo, todo este pique tem que ser dividido com os estudos, pois à volta as aulas deve ser encarada com muita alegria e vontade de aprender, e porque não com sede pelo saber! Pois ele será determinante para o seu futuro. Um povo bem instruído tem a sua qualidade de vida melhorada.

Dizer da importância de estudar, de qualificar-se nunca é demais, porque na verdade todos nós precisamos daquela forcinha, daquele incentivo extra que recebemos de fora, o que só vem a confirmar a nossa vontade de vencer na vida. Esta semana fiquei surpreendido quando um menino me ligou durante meu programa radiofônico e solicitou uma música para comemorar a volta as aulas, que ele estava muito feliz porque estava voltando para dentro da sala de aula. É isso não é tão comum, eu sei, foi por isto que não quis deixar passar a oportunidade de dividir tal situação com você.

Este fato tocou-me de uma forma, como se me desse à confirmação de que o nosso País ainda tem jeito, que ele vai melhorar, que os baixinhos de hoje darão uma nova cara ao Brasil. Precisamos de moralidade, precisamos de justiça, de igualdade, precisamos de oportunidades. Precisamos de fato fazer, ousar, tentar, sem medo. Porque tenho certeza que você também já está cansado das coisas “quase” darem certo...

E justamente vou me valer do texto de Luis Fernando Veríssimo - Quase, para complementar minha coluna. “Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é a desilusão de um "quase". É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Publicado no Jornal O Sentinela no dia 02/03/2011

23/02/2011

A vida em sociedade

A sociedade humana é formada de pessoas que têm necessidade umas das outras para continuar a espécie, buscar seus objetivos e realizar sonhos. Sem as comunidades o homem não se organizaria e não sobreviveria.

É o outro que ajuda na busca por alimento e abrigo. Seja da forma mais simples, quando o pequeno agricultor planta e colhe. Seja através do que constrói, do que cuida de doenças, do que educa. Enfim, uma imensa corrente permite que o ser humano nasça, cresça, viva.

O mundo moderno exige cada vez mais que essa ajuda seja diária, porém ela é imperceptível para muitos. Seres humanos têm necessidades materiais e espirituais. Cada um precisa de afeto, atenção, carinho, respeito.

Todos têm uma fé e esperança que o ajudam no dia-a-dia. Com isso adquirem forças, muitas vezes, até sobrenaturais. E conseguem transpor montanhas. Viver em sociedade é uma necessidade vital para o ser humano.

Uma pessoa rica que se isola em uma ilha, porque lá tem alimentos suficientes para seu sustento, não estará bem. Ela sentirá falta de alguém para lhe fazer companhia. Será triste e sozinha, necessitará de alguém. Ninguém é uma ilha. Precisamos, porém, de uma sociedade organizada, para que todos vivam satisfatoriamente.

Uma sociedade justa, onde todas as pessoas possam ter oportunidades e aproveitá-las. Benefícios e encargos distribuídos. Direitos respeitados e deveres assumidos. Responsabilidades e limites, na medida certa. Tenhamos sempre a esperança que estamos aprendendo a viver em sociedade.

Afinal, cumprimos o nosso papel a cada amanhecer! Assim caminha a humanidade... Como disse Clarice Lispector: “Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser...

Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!
Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso?”.

Publicado no Jornal O Sentinela, no dia 23/02/2011

16/02/2011

Até pode ser legal, mas é imoral...


O título acima por si só já se faz polêmico, bem, mas não é este o intuito deste texto e sim como os demais assinados em minha coluna, é de comungar idéias, provocar reflexões e até mesmo de levar informações até você meu caro leitor.

Em determinadas situações, diante da observação do efeito de uma determinada lei sobre um fato concreto, ouve-se, inclusive na mídia, a afirmação de que até pode ser legal, mas é imoral…

Não pode existir lei imoral!

A moralidade é um princípio, não segui-la é um mau começo e tudo que se segue é passível de questionamento, inclusive, no campo técnico. O processo de elaboração de uma lei deve ter espaço para que a causa de legislar seja atentamente estudada, a fim de viabilizar a criação de uma solução não só eficaz, eficiente e efetiva, mas também moral.

Moral, do latim, morus, significa “usos e costumes”. O legislador, ao elaborar uma lei, deve analisar, além da utilidade e da capacidade de a norma produzir seus devidos efeitos, se a solução que ela está propondo para o problema que quer resolver possui aderência aos usos e costumes sociais. A lei não pode ser uma criação singular ou algo imposto, tampouco ela pode ser produzida sem que em seu processo elaborativo discuta-se a consequência moral que seu efeito irá produzir.

Mas o que mais sustenta a sujeição da lei ao princípio da moralidade é o fato de que, em qualquer situação, o efeito de uma norma repercute na vida de um cidadão, de uma comunidade, de uma instituição ou de uma sociedade. Ao elaborar uma lei, maneja-se, portanto, com vidas. E não considerar isso é desprezar a ordem natural das coisas. É produzir uma lei, imoral… E o elaborador da lei não pode, não perceber o componente humano, portanto, moral, do efeito que a norma quer produzir.

A produção de leis imorais é um sinal claro de que o legislador, e nesse papel encontram-se o governo e o parlamentar, ainda não assimilou a importância e a responsabilidade ética de sua pública função. Mais, ainda, não se percebeu como filtro moral. E é justamente a ausência dessa percepção que abre espaço para a corrupção, para o mau uso do aparelho governamental, para o desvio de condutas e de recursos públicos e para o abuso do poder de legislar.

Publicado no Jornal O Sentinela no dia 16/02/2011

09/02/2011

Considerações sobre o poder

Nada é tão perigoso quanto o poder. Para o poderoso não há o "não", nem portas fechadas, nem filas, nem o esperar. O poderoso pode tudo e não conhece limites, a tudo seduz e compra com o poder que tem. Para o poderoso, as pessoas são meras peças do jogo da sua vida, que já tem prematuramente um ganhador: o poderoso.

Para que ter respeito e atenção às pessoas? Elas apenas existem para servir quem tem poder, assim pensa o poderoso. Quem detém o poder interdita ruas para a sua passagem, tem a imprensa a persegui-lo e as colunas sociais são a sua praia; o poderoso não atende pessoalmente o telefone, salvo quando é do seu interesse, delegando todos os assuntos maçantes e banais para a assessoria. Ter poder é ter privilégios, é estar acima do bem e do mal.

Mas o poder cobra um preço: a não existência do anonimato, nem da simplicidade, nem das relações verdadeiras. O poderoso, devido a sua soberba, perde o contato com pessoas autênticas, aquelas que nada querem em troca de um abraço, de um carinho, de um sorriso. Mesmo cercado de um séquito de puxa-sacos, vive a solidão de não saber com quem pode contar e se ilude acreditando ter amigos, que não são mais do que cúmplices de suas jogadas de poder.

Por não ter o anonimato, tem as suas atitudes copiadas ou julgadas o tempo inteiro e não se pode permitir errar. Tem que ser sempre o exemplo e a imagem do sucesso, não podendo perder tempo com futilidades. O poderoso controla mundos e fundos, mesmo que a sua vida seja sempre exposta. Seus filhos e cônjuges pagam também o preço dessa força que o poder traz e, assim como o poderoso, ganham logo o título de "doutor", sem jamais terem passado pela porta de uma universidade para fazer um doutorado e fazer jus ao título.

O poderoso é uma vítima do seu próprio poder; se embriaga de estar acima dos simples mortais, por estar além do bem e do mal. O que se questiona é que tipo de pessoa sobra quando se retira a ribalta? O que sobra do poderoso quando se lhe retira o poder? Quantas criaturas cheias de ressentimento e egoísmo se escondem atrás do poder? Quantos pedófilos, exploradores, larápios e infames se escondem nas roupagens do poder?

Mas nada é para sempre. A verdade de cada um aparece ao longo da vida e esta puxa o tapete de todos nós ao longo de nossa frágil existência. A experiência do poder serve como prova, para sabermos quem somos, com quem vivemos e o que queremos, pois a vida sempre cobra o que fizemos das nossas histórias.

Publicado no Jornal O Sentinela, no dia 09/02/2011